Há para aí uma instituição blogosférica em Portugal chamada "o Daniel do b-site", que, dadas as habituais patéticas 30 a 40 visitas diárias que constam do seu sitemeter levam a crer, e muito bem, que só 30 a 40 pessoas o lêem. Dá-se que o "Daniel do b-site" é conhecido nos meios certos por nunca ter escrito um mau post (acreditem que eu me farto de procurar), pelo que, quando o Brian Eno disse que hardly anyone bought the Velvet's albums when they were originally released, but everyone who did formed a band, estava na verdade a referir-se ao Daniel. Que agora tem uma rulote.
sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
(...) e Blackjack
Uma pessoa anda nesta vida para ganhar dinheiro, ou melhor, convém que ande. Mesmo que um gajo sonhe ser baixista dos Beatles, escritor do Daily Show, director de casting do Woody Allen ou Iniesta do Barcelona, e por mais que nos convença que a realização pessoal vem das cenas em si - e pode vir muito, está certo - há um factor importante nestas actividades tão fixes: ganha-se bem. Tirando uma pessoa que certa vez contactei num emprego em que lidava com esquizofrenias e problemas desses, e que me garantia ambicionar acima de tudo ser repositor de supermercado (e de quem eu nunca duvidei), todo o resto do mundo tem ambições muito legítimas de ganhar muito dinheiro. Algumas dessas pessoas pretendem também abraçar uma actividade que lhes preencha vazios, mas tirando essas franjas, as pessoas ajuizadas querem ganhar o Euromilhões. Sabendo desta importante verdade, os casinos trataram de inventar uns jogos muito simples em que algumas pessoas ganham muito dinheiro sem esforço nenhum e em relativamente pouco tempo. Está aqui uma coisa tão bem feita que é impossível ir ao casino uma noite e não assistir a um golpe de sorte de um pobre diabo que apostou tudo no zero da roleta ou num onze dos dados, e ainda assim, the house always wins e wins muito. Não há aqui nenhum Nobel, é o jogo, enfim. Aconteceu no entanto que os casinos se enganaram com um desses jogos e precipitaram-se a achar que estavam perante uma situação de sorte e azar, com ligeira vantagem para a banca. Permitiram que se jogasse Blackjack nas mesas, e acharam que estavam a controlar um jogo tão aleatório como a Pesca. Acontece que é tão perigoso ter Blackjack numa mesa como Xadrez a dinheiro, e quando, tarde demais, os casinos perceberam esta situação, assistimos orgulhosamente à primeira demonstração pública de mau-perder da casa. Eu explico tudo, é só mais uns dias.
sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
Out of Season
Não é que eu tenha saído de perto da televisão ou me tenha esquecido da password do blogue, mas deu-se que as séries de televisão vão todas de férias em Dezembro. A ABC é especialmente boa nisto de meter férias. De forma que tive que arranjar com que me entreter. Já cá está o bocadinho que faltava de Baltimore. Daqui a seis episódios já falamos.
domingo, 3 de Janeiro de 2010
quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
eat some snickers bar, throw some paper on the floor, read a newspaper
Next time a man calls you a fucking faggot, you get in that ass, Larry, know what I mean? You get in that ass, Larry. That's what the fuck you do. You let that man slide today. You gotta immediately get in somebody's ass when that happens to you. You pull their asshole open, step into their asshole, close the door behind you, pick up your spray-paint can, right? "Larry was here." You spray-paint "Larry was here", "wash me", all that kind of shit, fuck his whole asshole up, eat some snickers bar, throw some paper on the floor, read a newspaper, ball the paper up, the newspaper, and throw the newspaper on the floor, fuck his whole asshole up, you know what I'm saying? Then you open that asshole one more time, step out of his ass and leave that motherfucker wide open, so he knows you've been there.
Tubarão 4
Jumping the shark é uma, digamos, técnica muito comum para salvar séries em agonia e levá-las a mais uma ou duas preciosas temporadas. Matar personagens, trazer novas, substituir actores, mudar de cidade, pôr um casal na cama, convidados especiais, fazer um filme são os exemplos mais comuns e, claro, a maior parte corre muito mal. Há séries, como o West Wing, de quem nunca se esperaria um jump the shark e que ainda assim deixam o pobre espectador ser obrigado a ver o Toby a chorar e a pedir para não ficar sozinho (pelo amor de Deus), e outras que, parecendo todo um longo jump the shark desde o piloto - o Lost - nunca em momento nenhum, garanto, saltaram uma faneca sequer. Sobretudo não se deve levar a mal a um escritor ter que saltar o que quer que seja. Às vezes a vida corre bem outras vezes não, mas não é por termos visto com horror a Maddie e o David a entregarem-se ao amor que deixamos de ter saudades das terças-feiras de Modelo e Detective.
A quarta temporada de Dexter acabou este domingo com o maior jump the shark desta década. Dito isto, o Dexter é uma série competente com uma primeira temporada melhor do que a maior parte das outras coisas, e que está a passar no tempo certo. É um daqueles casos da televisão que só pode existir porque os Simpsons nasceram há vinte anos. Fica assim toda a gente muito divertida e satisfeita com sugestões de sangue por todo o lado e salas cheias de sangue e piadas com sangue e por aí fora (já há trens de cozinha Dexter). Entendo que a segunda temporada era necessária, embora tenha sido o primeiro de uma longa série de jump-the-sharks, mas a partir da terceira acabou-se tudo e passámos à repetição de histórias patetas de um serial killer querido.
Como se não fosse suficiente, despareceu lentamente (ou abruptamente, sinceramente não sei dizer) um pormenor que me fazia simpatizar especialmente com aquelas personagens. Todos suavam. Estamos em Miami e seja agentes a trabalhar, pessoas a passear, assassinos a atravessar a estrada, todos tinham a camisa suada. Há situações que nunca acontecem nos ecrãs, como suar, formatar o disco ou fazer um refogado (mas o Clemenza explica devagarinho como se faz molho de tomate no primeiro Padrinho, abençoado) e deviam ser mais frequentes. Mesmo assim alguém achou que o Dexter precisava de mais família e menos sudação, uma asneira que certamente fez baixar dramaticamente as audiências e nos trouxe a estes dois últimos minutos do último episódio. Enfim, vale-lhe ainda o melhor genérico da televisão.
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sábado, 5 de Dezembro de 2009
Seinfeld de 2009
George: Well, I'll never meet anyone else again.
Jerry: Probably not.
George: Meeting is hard.
Jerry: Meeting is hard. Why can't you meet?
George: Can't meet. Why is that?
Jerry: This is what single people are thinking about the minute they wake up in the morning. And yet we're surrounded by people. They're right next to us on the bus, on the street. But we can't meet them.
George: Why won't they meet us?
Jerry: Because strangers have a bad reputation.
George: A few bad strangers that ruined it for the rest of us.
(Entretanto, a Elisabeth Shue voltou a aparecer mais três minutos.)
Jerry: Probably not.
George: Meeting is hard.
Jerry: Meeting is hard. Why can't you meet?
George: Can't meet. Why is that?
Jerry: This is what single people are thinking about the minute they wake up in the morning. And yet we're surrounded by people. They're right next to us on the bus, on the street. But we can't meet them.
George: Why won't they meet us?
Jerry: Because strangers have a bad reputation.
George: A few bad strangers that ruined it for the rest of us.
(Entretanto, a Elisabeth Shue voltou a aparecer mais três minutos.)
Has anyone in this family ever even seen a chicken?
Já tratei de ver todo o Terminator: The Sarah Connor Chronicles e está tudo muito decentezinho, mas o mais extraordinário é o final. O final da segunda temporada é o maior cliffhanger da história da televisão. Grandes especialistas como Lost, Prison Break, Dallas ou West Wing (o West Wing nisto dos cliffhangers não era melhor que ninguém; acabava a temporada e, pelo sim pelo não, deixava-se uma bala no ar ou um telefonema de resgate a meio) não conseguiram nunca uma proeza destas. Explicado rapidamente, o John Connor deixa de existir, não deixando. Enfim, isto com viagens no tempo pode tornar-se complicado, mas o notável é que a série foi cancelada neste preciso momento. Já tive muitas noites mal dormidas com séries canceladas, mas esta conseguiu novos patamares.
Supondo que não teve más audiências, e que coisas tão narrativamente inúteis como Prison Break conseguem durar cinco temporadas, o que é que levará directores de televisões a acabar com séries, e porque é que há escritores que levam isto tão a peito e se empenham no cliffhanger mais absurdo de que haja memória? Para desesperadamente tentar manter o emprego parece uma boa resposta, mas na verdade não é. Esta estratégia nunca deve ter funcionado, portanto suponho que deve ser por despeito. Mesmo na série mais injustamente cancelada de sempre, o Arrested Development, os autores fizeram um esforço desumano por uma conclusão, tão bem feito, aliás, que mais tarde se recusaram a continuar noutro canal, alegando como o bom do John Cleese, que se tinham esgotado as ideias, o que me deixou extremamente confuso com toda a situação.
A melhor história de cancelamentos de séries, deve ser a de um programa australiano sugestivamente chamado Australia's Naughtiest Home Videos que foi cancelado antes do primeiro episódio terminar. O dono da estação estava a ver o programa ao jantar e não esperou vinte minutos antes de pegar no telefone e, de acordo com a seguríssima wikipedia, ter gritado "Get that shit off the air!", ao que se fez um intervalo de urgência e se colocou no ar um episódio do Cheers. Isto sim, é poupar dinheiro e chatices com telefonemas, mas o meu louvor vai para o técnico de continuidade, que soube escolher a série menos ofensiva de toda a televisão. Não deve haver uma única alma em todo o mundo que consiga mudar de canal se for surpreendido com um Cheers fora da grelha. Espero que tenha sido devidamente promovido.
Com algum esforço e tempo, vou ficando em paz com séries que terminam antes do que eu gostaria, mas ainda me custa muito não ver as chicken dances desta família com mais regularidade.
Supondo que não teve más audiências, e que coisas tão narrativamente inúteis como Prison Break conseguem durar cinco temporadas, o que é que levará directores de televisões a acabar com séries, e porque é que há escritores que levam isto tão a peito e se empenham no cliffhanger mais absurdo de que haja memória? Para desesperadamente tentar manter o emprego parece uma boa resposta, mas na verdade não é. Esta estratégia nunca deve ter funcionado, portanto suponho que deve ser por despeito. Mesmo na série mais injustamente cancelada de sempre, o Arrested Development, os autores fizeram um esforço desumano por uma conclusão, tão bem feito, aliás, que mais tarde se recusaram a continuar noutro canal, alegando como o bom do John Cleese, que se tinham esgotado as ideias, o que me deixou extremamente confuso com toda a situação.
A melhor história de cancelamentos de séries, deve ser a de um programa australiano sugestivamente chamado Australia's Naughtiest Home Videos que foi cancelado antes do primeiro episódio terminar. O dono da estação estava a ver o programa ao jantar e não esperou vinte minutos antes de pegar no telefone e, de acordo com a seguríssima wikipedia, ter gritado "Get that shit off the air!", ao que se fez um intervalo de urgência e se colocou no ar um episódio do Cheers. Isto sim, é poupar dinheiro e chatices com telefonemas, mas o meu louvor vai para o técnico de continuidade, que soube escolher a série menos ofensiva de toda a televisão. Não deve haver uma única alma em todo o mundo que consiga mudar de canal se for surpreendido com um Cheers fora da grelha. Espero que tenha sido devidamente promovido.
Com algum esforço e tempo, vou ficando em paz com séries que terminam antes do que eu gostaria, mas ainda me custa muito não ver as chicken dances desta família com mais regularidade.
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Liceus, enfim...
Só porque tenho a pretensão de ver todas as melhores séries de todos os tempos, não quer dizer que consiga resistir a qualquer uma das restantes nem deixar de ter carinho por todas por igual, excepto talvez tudo o que envolva advogados e médicos. Não há Hugh Laurie que me faça aturar séries com hospitais. Por outro lado se tiver o azar de me cruzar com um corredor de liceu ou com viagens no tempo, não haverá sossego nesta pobre alma enquanto não tiver despachado todas as temporadas. Daí que quando um dia liguei a televisão e vi o John Connor a abrir um cacifo soube logo que ia ter dias muito atarefados a ver exterminadores (afinal parece que foram às dúzias, até há um que foi parar a um speakeasy nos anos 20). Gosto muito do Sarah Connor Chronicles, agora já não há nada a fazer. Deixo só umas notinhas: no último episódio que vi, o Toby, aquela pessoa que no West Wing descobriu que a Constituição tinha uma vírgula mal colocada, passou os 50 minutos a levar porrada, que é uma coisa que o Toby faz muito em tudo o que entra, aliás; já simpatizo com aquele rapaz que é o único sobrevivente do Beverly Hills 90210; em Los Angeles chove muito no futuro; as máquinas são todas giras, e as humanas que vêm do futuro também; os exterminadores vão ao fundo na água, o que não deixa de fazer sentido; estou para ver como é que se vão safar de algumas coisinhas que para ali inventaram e que podem dar uns plot holes do tamanho de abismos. Assim vou levando a minha vida.
Booze Profiles
Há um episódio de Mad Men em que Don Draper ensina a filha de oito anos a preparar um Bloody Mary para os convidados, e um Tom Collins para a mãe. Num outro, ele próprio prepara para si um Old-Fashioned, com rye em vez de bourbon para despachar e sem grande cuidado, coisa rara. Há um momento em que Roger Sterling mistura vodka no leite que a mulher insiste que ele beba de manhã. A Peggy Olsen, promovida de secretária a copywriter pede frequentemente um Brandy Alexander, bebida só aparentemente suave. Numa festa de um country club, num domingo de Verão, as pessoas comentam que os Mint Julep não estão mauzinhos. Quando a Betty Draper resolve entrar sozinha num bar enquanto pensa amargamente o seu casamento, pede um copo de água primeiro e um Vodka Gimlet pouco depois. Juntam-se a isto os Scotch simples no escritório, uns quantos Dry Martini por quase toda a gente, Manhattans, Camparis e todos os que não me lembro.
Os silêncios de Mad Men são compensados assim, com muito álcool, umas vezes por cenário, outras para atalhar caminho e dar alguma coisa sobre a pessoa que está a beber, mas sempre presente. As personagens revelam-se todas muito devagar, mas não demora meia temporada até sabermos quem bebe só ocasionalmente, quem gosta de beber, quem é bom a fazê-lo e quem dá sugestões aos barmen. Se há páginas escritas com cuidado nesta série são as que envolvem bares e garrafeiras.
Os silêncios de Mad Men são compensados assim, com muito álcool, umas vezes por cenário, outras para atalhar caminho e dar alguma coisa sobre a pessoa que está a beber, mas sempre presente. As personagens revelam-se todas muito devagar, mas não demora meia temporada até sabermos quem bebe só ocasionalmente, quem gosta de beber, quem é bom a fazê-lo e quem dá sugestões aos barmen. Se há páginas escritas com cuidado nesta série são as que envolvem bares e garrafeiras.
